Depois de oito ano Jane Grei recebe transplante de rim

CANARANA – Sabe aquelas histórias de dificuldades que transforma a vida de uma pessoa e serve de exemplo para outros? Jane Grei, 51 anos, por 8 anos e meio sofreu de insuficiência renal crônica, que a obrigava a fazer hemodiálise, primeiro em casa aqui mesmo em Canarana e, depois, em viagens três vezes por semana a Barra do Garças, a mais de 300 km de distância. Nesse tempo enfrentou doenças como câncer, AVC e infecção no sangue, além de tantos outros desafios que milhares de pessoas com o mesmo problema passam todos os dias.

No final de 2017, a história da empresária, casada com Renato Manini, mãe de dois filhos e com dois enteados, já tinha sido mostrada pelo J. O Pioneiro, não porque a doença é incomum, mas pela forma como Jane encarava os desafios, sempre de bom humor e com muita força de vontade. Na época ela falou: “Digo para as pessoas que é preciso erguer a cabeça e lutar. Os problemas não podem nos impedir. Não deixo a doença atrapalhar a minha vida”. Naquele tempo os desafios eram reais e o transplante era apenas um sonho.

Mas um sonho que teve um final feliz. No dia 26 de janeiro deste ano ela recebeu um novo rim em uma cirurgia realizada na cidade de Campo Largo no Paraná. Agora curada, Jane concedeu nova entrevista ao J. O Pioneiro para falar de como tudo aconteceu e, novamente, dar uma palavra de esperança para outras pessoas que passam por problemas de saúde ou de qualquer outra natureza.

Se o resultado final foi o desejado, a caminhada nem sempre é, mas é o trajeto e os seus desafios que trazem o aprendizado. “Eu aprendi com uma pessoa a colocar nas mãos de Deus aquilo que não podemos resolver. Quando eu fiz isso, as coisas se resolveram e não demorou muito”, relata, num doloroso processo onde sempre teve a família e os amigos ao seu lado.

Jane conta que na manhã do dia em que seria transplantada, sua filha Giane Grei, foi acordada com uma ligação do hospital de que sua mãe precisaria estar até a noite no estado do Paraná para a cirurgia. Sem tempo para ir de carro, a família passou um sufoco para conseguir levá-la de avião. “Foi muito difícil chegar até lá. Parecia que nada iria funcionar. Somente no trajeto entre o aeroporto de Curitiba até Campo Largo que a enfermeira me ligou e disse que o rim iria dar certo para mim”.

Foram mais de oito anos de espera. Primeiro, na fila do hospital Albert Einstein em São Paulo ela não foi chamada. Em outro hospital, agora em Brasília, foi chamada e receberia um rim de sua filha, mas neste tempo teve câncer no rim e precisou sair da fila por quatro anos. Curada do câncer, Grei voltou ao sistema e ficou no aguardo de um rim compatível.

Com a doença, Jane conta que a rotina mudou. “Tudo foi muito difícil. Você fica limitada. Eu era muito ativa e sempre quis ter o controle de tudo. Foi muito difícil, porque de repente eu me vi impedida de fazer o que eu mais gostava, que era trabalhar, que era viajar. Foram muitas internações, doenças. Nesse tempo eu não vivi, eu sobrevivi”. Sobreviveu, mas não perdeu o sorriso.

Era nítida a vontade de viver em quem via a forma como Jane encarava a doença, sempre alegre e disposta, consolando ao invés de ser consolada. “O que me fez lutar era a vontade de viver, a vontade de me tornar uma pessoa melhor, ver meu filho crescer, curtir os netos”.

O rim que mudou a vida de Jane veio da boa ação de uma família que perdeu um ente querido e fez a doação dos órgãos, mas que não quis se identificar. “Não posso me esquecer da família doadora. A tristeza deles foi a minha felicidade e se não fosse a família do doador eu não seria transplantada”.

Depois da cirurgia, Jane ficou pouco mais de 50 dias no Paraná e retornou a Canarana no mês de março. “Já voltei à minha rotina de trabalho. Faço minhas caminhadas normalmente, estou ótima de saúde, feliz, realizada e posso dizer que foi um milagre o que aconteceu comigo. Estou preparada para o que der e vier, qualquer obstáculo que a vida me colocar daqui para frente você pode ter certeza que eu estou preparada para enfrentar. Estou mais forte, nada me assusta, nada me amedronta”.

A mensagem que Jane deixa com essa história é para nunca perder a fé. “Acredito que tenho uma missão a cumprir. Acima de tudo tenho que agradecer a Deus pelo que aconteceu, porque se não fosse Deus na frente, com certeza eu não teria sido transplantada. Quero ser exemplo para as pessoas não desistirem. É preciso acreditar sempre que no final dá tudo certo”.