Dia de Campo mostrou que agricultura familiar dá certo e dá dinheiro

CANARANA – Os produtores de soja e milho tem todos os anos dezenas de dias de campo que disseminam informações e tecnologias. Porém, o agricultor familiar não tem essa mesma sorte. Na última quinta-feira, 21, aconteceu um dos primeiros dias de campo para a agricultura familiar que se tem notícia nos últimos anos aqui em Canarana. Foi no Sitio Novo Sabor, Assentamento Suya, a cerca de 50 km da cidade. A propriedade, que assim como os demais 79 lotes do assentamento possui 12 hectares, pertence a Carlos Almeida e Adegmar Ferreira, parceiros do evento, juntamente com a Empaer e Prefeitura Municipal.

Se fizeram presentes assentados do Suya, agricultores familiares de outras regiões do município, representantes da Loja Araguaia, supermercados Economia e Muller, Sicredi, Gilberto Fiorentin presidente da Cooperportal, Olmar Goldoni presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canarana, Charles Visconti secretário Municipal de Agricultura, vereadores Soni Porsch, Rafael Govari e Moacir Ataíde, tenente Frank dos Bombeiros, Gildomar Avrella da Empaer, além de outros profissionais dos parceiros do evento.

O foco principal do dia de campo foi a cultura da mandioca, porém ele trouxe informações variadas, que englobavam a diversificação de atividades em uma pequena propriedade, a também assistência do Poder Executivo e da Empaer ao pequeno produtor, bem como crédito para fomentar investimentos através de explanação do Sicredi. Ficou visível a todos que, com apoio e trabalho, é possível tirar uma boa renda de uma pequena propriedade, muito maior inclusive do que trabalhadores ganham na cidade.

O Sítio Novo Sabor tem diversas atividades, como um hectare de seringa, dois hectares de mandioca, além de cana, pipoca, milho, frutas como a banana, o maracujá e a melancia, apicultura, animais, entre outros. Carlos e Adegmar também possuem uma farinheira, onde produzem mais de mil quilos mês de seis variedades de farinha de mandioca. Com um pouco de cada atividade, conseguem tirar uma boa renda mensal. Só não tiram mais porque falta mandioca no mercado para produzir mais farinha, que segundo eles, tem mercado para aumentar a produção.

Na apresentação do foco principal do dia de campo, a mandioca, Gildomar Avrella da Empaer, mais conhecido por Gil, apresentou variedades que chegam a produzir até 80 toneladas por hectare, bem mais do que as médias das variedades cultivadas atualmente em Canarana. A Empaer dá todo o apoio técnico para quem quiser entrar na atividade que está se apresentando como uma das mais lucrativas para o agricultor familiar atualmente. Um dos produtores de mandioca é João Batista da Silva, que trabalha com a esposa Roseni Vieira da Cunha em 20 hectares. Eles repassam 70% do valor para o dono da terra e ainda assim conseguem ter uma renda familiar superior a R$ 5 mil mensais.

Parte da produção do Batista vai para os supermercados e parte dela para o casal assentado do Suya, Valdeci Rodrigues da Silva e Nilva Correia da Silva, que também produzem mandioca e aproximadamente 2 mil kg de farinha por mês. A renda da família chega a R$ 8 mil mensais, que possibilitou que comprassem casa na cidade e um carro. Só não tiram mais porque não produzem mais farinha porque não tem mais mandioca. Chegam a buscar a matéria prima nos assentamentos de Querência e a farinha deles não tem que chegue para os mercados da região. Além da farinha, no sítio de 12 hectares o casal tem 200 frangos, 800 pés de pequi, entre outras culturas.

Durante o evento, o secretário Charles Visconti entregou kits de sementes de várias culturas para os assentados. A Secretaria Municipal de Agricultura tem auxiliado os agricultores de diversas maneiras e até 2020 o objetivo é que 70% da merenda escolar do município venha da agricultura familiar. Além das farinheiras, o assentamento já tem resfriador de leite e está em construção um abatedor de frango. Porém, maiores investimentos só poderão ser feitos através da organização de uma associação, que legaliza o repasse de recursos.

Além do fomento já feito pela Prefeitura Municipal, os assentados pediram investimentos em poços, visto que no forte da época da seca a água só dá para o consumo dos assentados, não sobrando para irrigar as plantações. Essa é hoje a principal demanda para que os agricultores do Suya possam investir e aumentar a produção, seja de mandioca, seja de outras culturas. O assentamento possui aproximadamente 60 famílias que residem nos lotes.

O presidente da Câmara, vereador Soni, sugeriu que a Prefeitura Municipal disponibilize toda semana transporte para que os assentados possam vender seus produtos na feira do produtor. Se cada agricultor vier de condução própria para trazer um pouco de produto, o transporte consome a renda. O vereador Moacir também tem auxiliado os assentados. Foi ele quem trouxe de outra cidade uma rama de uma nova variedade de mandioca que foi plantada no Sítio Novo Sabor.

O gerente do supermercado Muller, Gilberto, falou que muitos produtos são adquiridos de outras cidades porque não há disponível em Canarana, mas que se tivesse, os supermercados da cidade fariam questão de comprar dos agricultores locais. Já os representantes do Sicredi apresentaram linhas de crédito específicas para o agricultor familiar e a Loja Araguaia fez cadastros de assentados para facilitar a venda de produtos da loja, muitos deles equipamentos inovadores que facilitam o trabalho na propriedade.

Além da mandioca, foram apresentadas outras alternativas. A apicultura por exemplo, requer pouco investimento e manejo. Além da polinização para as demais culturas, cada colmeia pode produzir, sem tecnologia, 25 litros/ano de mel com preço de venda de R$ 20,00 o litro. Já o maracujá pode produzir até 40 toneladas por hectare e as mudas são doadas pelo Viveiro Municipal, que pertence a Secretaria de Agricultura. A melancia pode produzir mais de 20 toneladas por hectare. Olmar Goldoni do Sindicato dos Trabalhadores, apresentou um dessecador de banana, que possibilita secar a fruta e conservar ela para venda na cidade, podendo ser utilizada em diversos pratos.

Ficou visível nesse primeiro dia de campo que a agricultura familiar dá certo e é viável, mas ela requer, em primeiro lugar, força de vontade do produtor, além do incentivo e assistência técnica do Poder Público, fomento dos bancos e aquisição dos produtos pelos supermercados e população da cidade. Todos esses elos estavam presentes e empenhados em fazer a atividade prosperar em Canarana.