Dinetec inicia em Canarana e projeta movimentar meio bilhão de reais

CANARANA – A região Nordeste do Mato Grosso, que compreende 22 municípios do Médio e Norte Araguaia possui um dos maiores potenciais de crescimento agrícola do País.

Conforme o Imea, na safra 2021/22, a área de soja nesta região deve alcançar 2,451 milhões de hectares, quando representará por 20% da área estadual que deve atingir daqui a três ciclos 12 milhões de hectares. Todo esse crescimento acontece em áreas consolidadas, de pastagens, sem precisar derrubar florestas.

Dentro desse crescimento, nasceu há cinco anos o Dinetec (Dia de Negócios e Tecnologias), maior feira de demonstrações agrícolas do Vale do Araguaia e a segunda maior do Mato Grosso, realizada em Canarana, município que planta 300 mil hectares com soja e puxa o desenvolvimento do agronegócio na região.

Aabertura da 5ª edição aconteceu nesta quarta-feira, 16. O evento se estende até sexta-feira, 18.São mais de 200 empresas do agro, entre elas as maiores multinacionais, expondo novidades para os produtores em uma área de 100 mil metros quadrados.

Conforme um dos organizadores, Rodrigo Piccinini, da Consultoria Agrícola, a previsão é de 15 mil visitantes nos três dias, com a presença de produtores de todos os estados do Centro Oeste, movimentando 500 milhões de reais em negócios.

“O objetivo do evento é manter o foco e a qualidade de modo a que os visitantes tenham uma vitrine tecnológica, auxiliando na sua tomada de decisões nos investimentos futuros. Estão sendo realizadas palestras técnicas e fóruns dentro do evento contando com a presença das maiores empresas do setor”, disse Rodrigo.

Uma grande multinacional que está presente na feira disse que no ano passado foram fechadas 200 mil sacas de soja em vendas na base de troca, quando o produtor compra defensivos e entrega como pagamento sacas de soja na colheita. “Neste ano, para você ter uma ideia, já alcançamos as 200 mil sacas de soja em valor de venda de produtos”, disse a representante.

Na edição do ano passado ocorreu a abertura nacional da Safra de Soja, realizada pelo Canal Rural e Projeto Soja Brasil com transmissões ao vivo para todo Brasil. O evento teve também a presença do então ministro interino da Agricultura, Eumar Novacki. Já a edição deste ano abrigará na tarde de sexta-feira, a abertura da colheita da safra de soja no Vale do Araguaia, uma ação também dentro do Projeto Soja Brasil.

Com diversas palestras na edição 2019, a de maior destaque aconteceu na abertura oficial, com a jornalista do Canal Rural Kellen Severo. E ela não falou sobre questões técnicas das culturas, mas sobre assuntos econômicos e políticos, que afetam diretamente o bolso dos produtores. Se no campo a atividade prospera ano a ano, da porteira para fora os problemas são inúmeros.

O maior deles é de logística. Nos portos da região Sul do Brasil, a saca de 60 kg é vendida a R$ 75,00, enquanto que na região de Canarana vale hoje R$ 60,00. Os insumos chegam mais caros e o produto sai mais barato. A promessa de que o governo federal investirá recursos de concessões em ferrovias na FICO (Ferrovia de Integração Centro Oeste), no trecho entre Campinorte-GO a Água Boa-MT, pode melhorar o preço da produção aqui na região.

Perspectivas econômicas que interferem na cotação do dólar e na taxa de juros, tem relação direta com a produção agrícola. Por isso, o interesse dos produtores em uma palestra sobre as tendências econômicas nos primeiros dias do governo Bolsonaro. “O ambiente de otimismo que tomou conta do país nestes últimos dias após a posse do presidente Jair Bolsonaro dá sinais de que veio para ficar. A pauta econômica aparece como prioridade, a equipe com caráter técnico tem o diagnóstico claro do que é preciso ser feito para colocar a casa em ordem. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, enfatizou já no discurso de posse a necessidade de promover o agronegócio”, disse Kellen Severo.

Se por um lado há otimismo, em outro há preocupação. “Se de um lado o setor produtivo comemora a forma como Araújo vê o agro, de outro lado há um ambiente de preocupação com efeitos que a troca de embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém pode causar nas exportações do setor de carnes, já que os países árabes – inimigos históricos dos israelenses – consomem 34% das nossas exportações e 32% da carne bovina”, complementa Kellen, que também falou da flexibilização da posse de armas, ideia que levou muitos produtores a abraçarem Bolsonaro já na pré-eleição. Somente na região de Canarana, foram mais de R$ 20 milhões em defensivos roubados nos últimos cinco anos.

Se os produtores estão com um olho nas ações do governo Bolsonaro, estão com o outro olho na direção das medidas tomadas pelo governador Mauro Mendes, que quer aprovar aumento nos impostos já pagos pelos produtores para cobrir o rombo no caixa do estado. “O sentimento que há entre os produtores da região é que historicamente o governo quer sugar, mas não entrega retorno, como investimentos em logística”, disse o presidente do Sindicato Rural de Canarana, Alex Wisch.

Atento às novas tecnologias oferecidas por mais de 200 empresas do ramo, durante o Dinetec os produtores fazem escolhas para as próximas safras e fecham negócios. Mas também ficam atentos aos rumos econômicos do Brasil e do Mato Grosso. A região tem terras em pastagens para serem convertidas em lavouras, há no mercado tecnologias e financiamentos, os produtores possuem essa intenção, mas as decisões dos governos podem influenciar no crescimento ou na sua estagnação.