Eleição suplementar de Ribeirão Cascalheira ocorre em abril

RIBEIRÃO CASCALHEIRA – O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcou para 7 de abril a eleição suplementar à prefeitura de Ribeirão Cascalheira. A determinação ocorre nove meses após a cassação de Reynaldo Diniz, por suposto crime eleitoral. Fora do pleito, o ex-prefeito confirmou que não apoiará nenhum candidato e que aguarda o julgamento de seu processo em última instância. Ele nega acusações.

Além da prefeita interina Luzia Nunes Brandão (SD), também é candidato o servidor público Wiser Barbosa Moura (MDB). Os dois têm os próximos 30 dias para executarem suas campanhas. Quem vencer vai governar o município pelos próximos um ano e oito meses, até dezembro 2020.

Vinda da chefia da mesa diretora da Câmara Municipal, Luzia assumiu o município com uma série de problemas financeiros. A necessidade imediata, conforme relatou ao Semana7 em junho de 2018, era o corte nos gastos municipais. Durante os 9 meses de gestão, a prefeita se dedicou a quitar as dívidas da prefeitura e manter em ordem os serviços públicos.

Na época, ela afirmava que suas decisões, enquanto gestora, eram para uma administração de dois anos. A reportagem entrou em contato com a prefeita para questioná-la sobre propostas de governo, mas até o fechamento da matéria ela não retornou.

Funcionário do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) há 29 anos e morador de Cascalheira a 24, Wiser fala em combater a evasão fiscal na cidade. “Nós perdemos, por mês, uma receita em torno de R$ 800 mil a R$ 1 milhão para outros municípios. Num primeiro momento, temos que estancar essa evasão fiscal”.

Outra de suas propostas para o curto período que resta de gestão é o enxugamento da máquina pública. “Vamos ver a maneira mais adequada e mais correta para que o gasto público seja mais criterioso”.

Fora das eleições, o ex-prefeito Reynaldo Diniz negou apoio a qualquer dos candidatos. Segundo ele, seu grupo político está dividido em três: parte é neutra, parte está com Wiser e parte com Luzia.

A chapa de Diniz foi cassada devido a uma denúncia feita pela coligação de Wiser, sobre suposta prática de crime eleitoral, no pleito de 2016. Na época, o ex-prefeito disputava a reeleição, que venceu, deixando o servidor público em segundo colocado, com uma diferença de pouco mais que 5% de votos.

Segundo a acusação, o ex-prefeito Reynaldo teria usado os serviços do secretário municipal de Saúde, Jair Barros, para realizar 460 exames oftalmológicos gratuitamente na população durante período eleitoral. Com a condenação no Tribunal Regional Eleitoral, ele e o ex-vice Gleison Oliveira (PR), perderam o cargo e foram multados em R$ 10 mil. Eles e o então secretário de Saúde também ficam inelegíveis pelos próximos oito anos.

Ao Semana7, Reynaldo afirmou que espera o julgamento do processo no Tribunal Superior Eleitora (TSE). O ex-prefeito lembrou que, caso vença, a eleição ou o resultado do pleito ficam inválidos e ele retorna a prefeitura.

Em sua defesa, ele alega que os exames oftalmológicos ocorreram em período de campanha, devido a um atraso da empresa responsável pela realização. Segundo afirma, a Justiça concedeu autorização para que fosse realizado o mutirão oftalmológico, com a ressalva de que Reynaldo não comparecesse ao local.

A exemplo de Ribeirão Cascalheira, a cidade de Bom Jesus do Araguaia, a 116 km, também terá nova eleição suplementar em 7 de abril. O ex-prefeito Joel Ferreira e o vice Edmarcio Moreira da Silva foram cassados por acusação de abuso de poder econômico e captação ilícita de votos.