Famílias materna e paterna querem guarda de bebê indígena que foi enterrada viva

CANARANA – Tanto a família da mãe, quanto a do pai, do bebê indígena que foi enterrada viva, logo após o nascimento, em Canarana, manifestaram interesse em ter a guarda da menina, segundo informações publicadas pelo Ministério Público Estadual (MP), na quinta-feira (6).

De acordo com o promotor de Justiça que acompanha o caso, Matheus Pavão de Oliveira, a decisão sobre a guarda do bebê, que recebeu o nome de Analu Paluni Kamayura Trumai, somente será tomada após o resultado de um estudo psicossocial, bem como o de um exame de paternidade que foram solicitados pela instituição.

Ainda segundo ele, o bebê, atualmente com três meses, está em um abrigo em Canarana e a visita de familiares é permitida.

“Não há uma vedação expressa que proíba parentes de visitá-la. O que tem hoje, obviamente, são restrições com relação a avó e bisavó, que são acusadas de um crime gravíssimo. No mais, a mãe pode visitar, o avô paterno, o pai, entre outros parentes. O pai, inclusive, manifestou interesse em ter a guarda da bebê, porém, nada será decidido antes da conclusão do estudo e do resultado do exame de DNA”, disse.

O MPE informou também que apesar de visitar a filha, a mãe do bebê não a amamenta e que um vínculo mais forte entre as duas não foi formado.

“As visitas da mãe ao abrigo são irregulares. Porém, não existe um contato tão íntimo e afetivo como era esperado. Temos tentado restaurar o vínculo materno, mas não aconteceu naturalmente”, afirmou o promotor.

Inquéritos

De acordo com o MPE, duas ações sobre o caso tramitam na Justiça. Uma é criminal, a outra, cível. O processo criminal apura se a avó da bebê Kutsamin Kamayura e a bisavó Tapoalu Kamayura são responsáveis pela tentativa de infanticídio. Na esfera civil, a Justiça analisa quem seria o parente ou não parente mais adequado para ter a guarda da criança.

O caso

A criança foi enterrada viva no dia 5 de junho, logo após o nascimento, no quintal da casa da bisavó Kutsamin Kamayura. Os policiais que fizeram o resgate estimaram que a criança tivesse ficado quase 7 horas dentro de uma cova de 50 centímetros de profundidade. Após o resgate, a criança foi hospitalizada e, posteriormente, encaminhada para uma Unidade de Terapia Intensiva em Cuiabá (UTI), onde permaneceu por mais de 30 dias.