Greenpeace assume ter abandonado mala com ‘alarme’ em comissão da Câmara que debate uso de agrotóxicos

Mala deixada na comissão do agrotóxico foi aberta por policiais legislativos (Foto: Fernanda Calgaro/G1)

BRASÍLIA – A ONG ambientalista Greenpeace assumiu ter sido a responsável por abandonar na última quarta-feira (20), no plenário da comissão especial da Câmara que debate o uso de agrotóxicos, uma mala com um alarme sonoro que disparou.

Depois da reunião da comissão, a assessoria da Câmara informou que a mala, de material plástico, continha uma “simulação grotesca” de bomba.

Em nota publicada no site da entidade, o Greenpeace disse que a iniciativa “teve como objetivo chamar a atenção para os riscos da aprovação do projeto, que libera ainda mais agrotóxicos no Brasil”.

A pasta foi abandonada no fundo do plenário, perto das cadeiras ocupadas por jornalistas e assessores.

Pouco antes do início da reunião da comissão, destinada à votação do parecer que flexibiliza as regras para o uso de pesticidas, começou a tocar um alarme muito alto, que lembrava um alarme de carro – na nota, o Greenpeace explicou que se tratava de um alarme de moto.

Naquele momento, não houve tensão, e os presentes até riram da situação. Um dos assessores, então, retirou a mala do plenário e a entregou a um dos policiais legislativos.

Ao final da reunião, a presidente da comissão, deputada Tereza Cristina (DEM-RS), disse que se tratava de uma “simulação de bomba, sem bomba”, causando muita apreensão entre os presentes.

A Polícia Legislativa abriu uma ocorrência policial e, segundo a assessoria da Câmara, apontou a possível participação de um homem e uma mulher no episódio.

A Câmara informou que a identidade dos supostos envolvidos já foi confirmada e, ao final da apuração, serão tomadas “medidas cabíveis”. De acordo com a assessoria da Câmara, a maleta está sendo analisada pelo Esquadrão Antibomba da Polícia Militar do Distrito Federal.

Procurado pelo G1, o Greenpeace não respondeu como um ativista conseguiu entrar com a pasta com o alarme na Câmara.

Em tese, todo visitante tem que se identificar e passar pelo raio-X em qualquer uma das portarias da Câmara. Mas parlamentares, servidores, assessores e credenciados, como profissionais da imprensa, não precisam passar pelo raio-X.

Questionada se o ativista recebeu ajuda de alguém, a assessoria do Greenpeace disse que não forneceria essa informação.

Na nota que publicou no site, o Greenpeace disse que o ato “não representava risco algum para a segurança dos presentes”.

Afirmou ainda que “qualquer outra interpretação é uma tentativa mal intencionada de desviar a atenção da real ameaça em questão: a liberação de mais veneno na comida dos brasileiros”. A ONG destacou que a “não-violência é um princípio fundamental” do Greenpeace.

Providências

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), presidida pela deputada Tereza Cristina, divulgou nota de repúdio à ação do Greenpeace, afirmando que o ato causou “terrorismo psicológico em todos os presentes à reunião”.

A FPA disse rechaçar “qualquer incentivo a práticas terroristas e criminosas contra a democracia e os poderes da República” e cobrou providências para apurar o episódio e responsabilizar o Greenpeace e servidores ou parlamentares que eventualmente burlaram a segurança.

Procurado pelo G1, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a investigação ainda está em curso e que, segundo o Departamento de Polícia Legislativa (Depol), “não é possível afirmar se houve falha nos procedimentos de triagem de pertences e objetos, pois ainda não se sabe como o artefato entrou na casa”.