Mais Médicos atende 73% das cidades de Mato Grosso

CUIABÁ – Há cinco anos, Mato Grosso recebia os primeiros profissionais do “Mais Médicos”, programa criado pelo governo federal com o objetivo de ampliar à assistência na atenção básica fixando médicos nos municípios ou comunidades com mais carência ou menos assistidos. Desde então, 236 especialistas passaram a atuar por meio da iniciativa no Estado.

Do total, 39 são de brasileiros com CRM Brasil, 65 de intercambistas individuais (brasileiros formados no exterior e ainda sem CRM ou estrangeiros) e 132 são de cooperados (cubanos), conforme informações da Secretaria de Estado de Saúde (Ses/MT). Atualmente, eles estão distribuídos em 102 dos 141 municípios mato-grossenses.

No Brasil, 37 mil profissionais do próprio país e do exterior participaram do programa, que segue recebendo críticas de entidades médicas. Segundo a pasta, atualmente, são 18,2 mil vagas preenchidas em 4 mil municípios e 34 distritos indígenas, beneficiando 63 milhões de pessoas.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), Fernando Matos alega que a principal crítica das entidades médicas é de que a origem do programa teve uso político: “Alguns milhares de médicos brasileiros se inscreveram e nunca foram chamados. O programa tinha cunho eleitoreiro. Havia vontade de passar dinheiro do pagamento dos profissionais para outros países”.

Matos se refere ao convênio do Brasil com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que faz a intermediação dos contratos com médicos cubanos. A polêmica maior é porque parte da remuneração é enviada pela entidade diretamente ao governo de Cuba. Outro problema, segundo ele, é que não há como fiscalizar os profissionais que vêm de fora.

“Até hoje, os conselhos de medicina não sabem se os profissionais de outros países que vêm para o Mais Médicos são médicos ou agentes de saúde. Não há como fiscalizarmos isso. Alguns casos de falta de habilitação para o trabalho foram comprovados”, disse.

O contrato dos médicos é de três anos, com possibilidade de prorrogação. Os profissionais recebem bolsa-formação de R$ 11,8 mil e ajuda de custo inicial entre R$ 10 mil e R$ 30 mil para deslocamento para o município de atuação. Além disso, todos eles têm moradia e alimentação custeadas pelas prefeituras.