Para os PAs Casulo Vida Nova I e II a água ainda precisa chegar

ALTO BOA VISTA – “Nós não temos água potável! A potável que chega aqui vem de caminhão ou de trator e nós não sabemos a condição que ela circula naquele tanque. Ele pega lá na mina e sai distribuindo para cada produtor na sua parcela, mas aqui a questão é a seguinte: às vezes vem uma vez na semana, ou duas vezes, quando vem! Tem semana que não vem nem uma vez”.

Esta é a realidade que Rogério descreve no dia a dia das famílias, que como ele, são parceleiras e vivem no PA Casulo Vida Nova em Alto Boa Vista, MT. Segundo Iara, que é esposa de Rogério, quando a água chega está barrenta, mas é a única que eles têm.

Já são seis anos desde a criação do PA Casulo Vida Nova, quando foi publicada a portaria de criação no Diário Oficial em 18/12/2012, viabilizada por um acordo de cooperação entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA e a Prefeitura Municipal de Alto Boa Vista. A Prefeitura doou o terreno que assentou 92 famílias retiradas de dentro da Terra Indígena Maraiwatsede, quando esta foi entregue ao Povo Xavante e os não índios tiveram que sair obedecendo a uma decisão do Supremo Tribunal Federal – STF. Em 2016 foi criado o PA Casulo Vida Nova II, onde vivem atualmente 7 famílias, que receberam lotes de 1 Ha e também aguardam a chegada da urbanização com moradia, água, luz e estradas que dê acesso aos lotes.

Na ausência de uma solução que até o momento não foi dado pelo poder público, a sociedade civil organizada através da Associação Vida Nova (Casulo I), Associação Boa Esperança (Casulo II), o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Alto Boa Vista e a Associação de Educação e Assistência Social Nossa Senhora da Assunção –  ANSA, estão se mobilizando para buscar apoiadores que se juntem nessa causa para que os moradores dos PA Casulo I e II em Alto Boa Vista venham a ter água boa e farta à sua disposição.

Receber um pedaço de terra é certamente uma dádiva e motivo de grande celebração, mas a falta de apoio financeiro à estruturação necessária para que se possa tirar dela o próprio sustento e o excedente para comercializar e gerar renda, como também, a falta destas perspectivas aos jovens oriundos dos assentamentos da reforma agrária, tem gerado o abandono do campo em direção às periferias das cidades. O resultado disso nós já vimos: É a diminuição na produção de alimentos no campo.