Ribeirão Cascalheira – Prefeito quer criar cooperativa de pequi para incentivar comércio local

Prefeito Reynaldo Diniz Foto: Semana 7

O prefeito de Ribeirão Cascalheira, Reynaldo Diniz, em recente entrevista ao portal Semana7 disse de sua pretensão de criar em seu município, localizado a 900 km de Cuiabá, uma cooperativa mista voltada à produção de pequi e de outros produtos com vistas ao escoamento da produção mediante industrialização de bens e serviços.

O projeto dessa cooperativa vem sendo discutido, entre outros, com pequenos e médios produtores, com famílias inscritas no programa da Agricultura Familiar no município, cuja perspectiva nesta safra, até dezembro, é de pelo menos 950 toneladas de pequi, contra 600 ton. registradas ano passado, em função dos meses de estiagem.

Em um texto da jornalista Rosana Persona, da assessoria da Empaer (MT) ressalta que os produtores locais vendem a média, neste ponto alto da safra, de 30 toneladas do fruto por dia, de acordo com os cálculos do técnico agropecuário Carlos Alberto Quintino.

Conforme Decreto Governamental, o pequi é considerado uma das árvores símbolos de Mato Grosso, representando o bioma cerrado. No estado, foram encontradas quatro variedades, na região da Baixada Cuiabana: o pequi de tamanho pequeno e o mais consumido na culinária, de tamanho médio em Barra do Garças, o grande em São Félix do Araguaia e o pequi sem espinho encontrado na reserva indígena do Xingu.

De acordo com Quintino a árvore do pequi produz cerca de dois mil frutos por colheita. A primeira florada ocorre entre o quinto e o sexto ano. A área plantada em Ribeirão cascalheira chega a 300 hectares de pequi, metade desses hectares é de cultivo nativo e a outra dividida entre 90 produtores rurais.

A extensionista da Empaer Glaci Ducat tem ministrado curso sobre como transformar o fruto do cerrado em farinha, doce, conserva da polpa e caroço. Produtores rurais receberam orientações para comercializar o produto in natura e industrializado. Com a aprovação da Lei de Serviço de Inspeção Municipal (SIM) será permitido o beneficiamento do produto através da indústria artesanal.

Para manter a tradição, divulgar a gastronomia amparada pelo sabor do pequi e fomentar a produção em larga escala desse fruto que ainda está longe de atender a demanda de centros urbanos do país, a administração de Ribeirão Cascalheira promove em 2 de dezembro sua tradicional Festa do Pequi e deve receber produtores, coletores e caravanas de vários municípios consumo da região do Araguaia.

O Fruto

Nativo do cerrado brasileiro, do pequi se extrai o óleo, e a partir dele é produzido o biodiesel e 50% deste corresponde ao óleo vegetal, que tem uma composição química adequada para a produção de biodiesel.

Porém, produzir biodiesel a partir do óleo de caroço de pequi leva tempo e investimento. É necessário produzir mudas, plantar, desenvolver e maturar a produção em escala comercial.

O pequizeiro é uma árvore alta, com tronco de 2 m a 5 m de circunferência e altura de 15m a 20m. Ocorre mais frequentemente nos estados de Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, São Paulo e Bahia.

As sementes devem ser obtidas de plantas sadias, que possuam caroço grande, polpa espessa e coloração variando do amarelo ao laranja. Sua coleta ocorre geralmente entre os meses de outubro e janeiro, sendo que a enxertia, que é a união dos tecidos de duas plantas, é feita de outubro a março.

Para uma boa germinação, os frutos devem ser coletados quando estiverem completamente amadurecidos. Posteriormente, retira-se a casca e as sementes do caroço, colocando-os amontoados em um recipiente limpo durante uma semana.

[Com assessoria Empaer/MT e Agência Embrapa de Informação tecnológica]