Tecnologia: Escola Politécnica da USP desenvolve asfalto durável e de baixo custo

Assessoria; Foto - jufapasfaltos.com.br

SÃO PAULO – A Escola Politécnica da USP (Poli) está desenvolvendo uma nova tecnologia em pavimento asfáltico, durável e de baixo custo, que poderá ser aplicado em rodovias vicinais. Elaborado a partir da emulsão de xisto betuminoso, o pavimento é resultado de uma pesquisa iniciada há seis meses e que vem sendo desenvolvida em conjunto com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. A iniciativa tem o apoio da Petrobras e conta com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos, do Ministério da Ciência e Tecnologia.

O xisto é uma rocha sedimentar e pode ser encontrada em mares profundos. Dela, podem ser extraídos subprodutos para produção de pavimentos, o óleo e o gás combustível. A inovação já está sendo testada com sucesso no estado do Paraná. O trabalho de pesquisa envolve um estudo global de pavimentação das rodovias, com início na análise do solo que irá receber a emulsão asfáltica. Esse processo também é conhecido de tratamento anti-pó.

Segundo Liedi Bariani Bernucci, coordenadora do Laboratório de Tecnologia de Pavimentação da Poli, paralelamente ao estudo do pavimento de xisto betuminoso foi criado um método de análise de solo. Estes testes também são feitos no laboratório.

As amostras são recolhidas em campo. Em seguida, passam por um processo de caracterização visual-tátil e de resistência para saber se o solo é adequado para receber a camada asfáltica e suportar o trânsito local. ‘O método é simples e pode ser utilizado pelas próprias empresas asfálticas’, garante Liedi. ‘Ele já está disponível na Poli para ser repassado aos interessados’, avisa.

A durabilidade do asfalto de xisto pode chegar a dez anos ou mais. ‘O xisto é extraído de um mineral e não do petróleo, como no caso do asfalto convencional. A economia fica em torno de 20% a 40%, dependendo do local onde o asfalto é aplicado’, diz. Segunda a pesquisadora, esse percentual se torna significativo na soma final da pavimentação de toda a estrada. ‘Com essa economia, cidades com poucos recursos para empregar na malha rodoviária podem se utilizar desta tecnologia’.

Escala industrial

Liedi vê com grande entusiasmo o asfalto de xisto. ‘Quando ele puder ser empregado em escala industrial, o Brasil terá muitas rodovias asfaltadas a um valor baixíssimo’, estima. Os custos em transporte e vias pavimentadas diminuiriam em até 50%. Alguns estudos mostram que cerca de 90% das redes rodoviárias brasileiras não são asfaltadas, o que significa que mais de 1,6 milhão de quilômetros se encontram nessas condições. Em São Paulo, onde está situado 20% das mais importantes rodovias brasileiras, esse número não é diferente: apenas pouco mais de 10% são asfaltadas. Nos países europeus, a situação se contrasta com a nossa realidade. Lá, mais de 90% das vias são pavimentadas.

O benefício social do asfalto de xisto também é relevante. ‘Se houvesse mais vias pavimentadas as pessoas, principalmente as mais humildes, seriam mais beneficiadas’, garante a pesquisadora. Segundo ela, no interior de muitos estados brasileiros, crianças deixam de ir à escola em período de chuvas intensas. ‘Outras não podem ser atendidas em hospitais por falta de tráfego em algumas estradas’, lembra Liedi.

Os testes estão sendo feitos no Paraná porque na região está instalada a Six – Usina da Petrobrás, única empresa de xisto betuminoso que disponibiliza matéria-prima em abundância para o bom andamento da pesquisa.