Tragédia de Brumadinho prejudica a construção da Fico

ÁGUA BOA – Com a tragédia do rompimento da barragem de Brumadinho (MG), o governo federal decidiu adiar a antecipação da renovação do contrato de exploração da Vale sobre duas ferrovias, o que geraria como contrapartida R$ 4 bilhões de investimentos na Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), entre Campinorte (GO) e Água Boa.

O recurso seria uma contrapartida da mineradora pela renovação da outorga das ferrovias do Carajás, que liga o Pará ao Maranhão e a Vitória-Minas, que liga Minas Gerais ao Espírito Santo.

Na avaliação do senador Wellington Fagundes (PR), apesar de a decisão impactar no projeto estratégico de desenvolvimento ferroviário de Mato Grosso, é uma decisão natural e prudente. “A catástrofe de Brumadinho exige esclarecimentos”, pondera.

Ainda segundo ele, o próprio Senado deve criar uma CPI, que conta com o seu apoio, para buscar explicações e adotar eventuais medidas de responsabilização. Apesar da tragédia, o parlamentar ressalta a importância da Vale. “É um dos maiores patrimônios do nosso país, que nasceu como uma empresa pública. Emprega mais de 70 mil pessoas. E como tal, sua atuação deve ser voltada a contemplar os interesses maiores da nossa federação”, ressalta.

A Fico é um dos projetos de ferrovia mais avançados de Mato Grosso, tendo sido incluída no Plano Nacional de Viação por meio da Lei 11.722/2008. No traçado inicial, a ferrovia ligará Campinorte (GO) a Vilhena (RO), com cerca de 1.641 km de extensão. O trecho entre Campinorte e Água Boa já possui Licença Prévia do IBAMA, e tinha a projeção de já ser começada a ser construída este ano.