Xinguanos exigem serem consultados sobre a BR-242 e FICO

CANARANA – Em carta, caciques e lideranças do Território Indígena do Xingu (TIX) alertam para os impactos da estrada e ferrovia, e pedem que seu direito à Consulta Livre, Prévia e Informada seja respeitado.

Duzentas lideranças do TIX, reunidas no polo Leonardo entre os dias 14 e 16 de março, discutiram sobre os impactos que a BR-242 e a EF-354, a Ferrovia de Integração do Centro Oeste (FICO), podem provocar na região das cabeceiras do Xingu. No documento, enviado para o Ministério da Infraestrutura, DNIT, VALEC, Ibama, FUNAI, IPHAN e MPF, alertam a sociedade brasileira para os perigos do aumento do desmatamento, contaminação por agrotóxicos e diminuição do pescado.

Eles argumentam que “os órgãos governamentais responsáveis pela construção da BR 242 e FICO devem realizar um processo único de consulta específica aos povos do TIX”, já que as duas obras estão projetadas para a mesma região e devem causar os mesmos tipos de impactos.

Na Carta, as lideranças indígenas reivindicam, ainda, políticas de proteção aos territórios sagrados da Gruta do Kamukwaka (Rio Batovi) e do Sagihengu (Rio Kuluene), ambos tombados pelo IPHAN, mas abandonados pelas autoridades e sujeitos a vandalismo.

Por fim, os indígenas afirmam que “o traçado da BR 242 deve seguir a estrada que já se encontra aberta entre os municípios de Gaúcha do Norte e Canarana”, evitando a abertura de novas áreas de floresta, construção de novas pontes e afastando a rodovia do TIX.