A restauração nos quintais da Rede de Sementes do Xingu

CANARANA – Os coletores da Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) não coletam somente para verem crescer árvores nas propriedades alheias. As sementes também são destinadas a tornarem-se pequenas florestas em seus quintais. Dentro da nova estratégia da associação a restauração ecológica é um passo que começa de dentro para fora, onde os plantios são cada vez mais frequentes nas comunidades coletoras também.

Entre as primeiras experiências com esse foco, o plantio na aldeia Ripá, do povo Xavante, localizada na Terra Indígena Pimentel Barbosa, município de Canarana-MT, trouxe uma importante experiência para a área de restauração florestal da rede. ¨O grupo de coletores na aldeia existe desde 2015 e há tempos estávamos com a ideia de realizar outras ações, como o plantio de árvores para aumentar a disponibilidade de sementes bem como o resgate de espécies importantes para cultura deles e a melhoria da alimentação¨, explica João Carlos Mendes Pereira, técnico da ARSX.

O trabalho realizado em dezembro de 2019, teve como base as demandas da comunidade com algumas adaptações. Além da semeadura direta de muvuca, o mix de sementes nativas, realizado de forma manual e em linha, foram criados canteiros de agrofloresta com mudas e sementes.

¨Mulheres e crianças tiveram participação ativa durante todo o processo e a sensação de troca de experiência foi bem marcante. Muitos indígenas não conheciam a técnica da semeadura direta¨, conta João Carlos.

Como objetivo do trabalho, a rede espera que a comunidade internalize a técnica e a utilize na restauração dos quintais, contribuindo assim para a produção de sementes nativas que, consequentemente, irá aumentar a renda e disponibilidade de alimentos na aldeia.

¨Além desse projeto realizado com apoio do Instituto Socioambiental (ISA), aprovamos outro que até 2021 irá subsidiar novos plantios na aldeia e também nos assentamentos rurais da região¨, afirma o técnico.

Por Tatiane Ribeiro – ISA; Fotos – Eder Irber/ARSX.