Climatologista Luis Carlos Molion palestra para Classe Produtora Canaranense

CANARANA – Pela quarta vez consecutiva em Canarana – MT, o climatologista Luis Carlos Baldicero Molion (69), na noite do último dia 09 de setembro (segunda-feira), falou para a classe produtora do município sobre as tendências climáticas para a próxima safra em evento promovido pelo Sindicato Rural de Canarana.

Luis Molion é um dos principais defensores brasileiros na teoria do Negacionismo Climático que, em resumo, nega o Aquecimento Global ou, em menor grau, nega que as emissões de gases na atmosfera pelos seres humanos sejam as causas da teoria do Aquecimento do Planeta. Físico pela Universidade de São Paulo (USP), Doutor (Phd) em Meteorologia pela Universidade de Wisconsin–Madison (Estados Unidos), Molion ainda possui Pós Doutorado em Hidrologia de Florestas pelo Institute of Hydrology, Wallingford (Inglaterra). Por anos fez carreira no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e atualmente é professor Associado da Universidade Federal de Alagoas.

No primeiro momento da palestra, o climatologista mostrou infográficos contestando a exatidão dos modelos de previsões climáticas tradicionais existentes e a metodologia de coleta de dados que alimenta esses modelos, concluindo que, prever incidência de chuvas por estatísticas se demonstra muitas vezes um método falho. “Os modelos não conseguiram prever, por exemplo, a seca de São Paulo em 2014. {…} Num modelo, a Organização Meteorológica Mundial pega 30 anos, todo dia 09 de setembro como exemplo, com todas as temperaturas mínimas, soma e divide por 30. Pra eles, clima é estatística (média)” afirma o professor.

No modelo defendido por Molion, baseado no Teorema da amostragem (teorema de Nyquist) é levado em consideração uma longa série histórica. Para ele, as altas temperaturas atuais fazem parte de um ciclo natural, dependente de uma série de fatores, que está chegando ao fim. “Eu sou do tempo que não existia computador. Então a gente tinha que fazer conta. O que eu levo no meu sistema é um modelo baseado na semelhança aos anos anteriores. Por exemplo, a sequência de anos secos em torno de 2014 a 2016 é uma repetição histórica. Eu mostro, com argumentos físicos, que vai ocorrer um resfriamento nos próximos anos. Os invernos serão mais frios, a entrada de massa polar será mais frequente e a temperatura vai baixar”, afirma o professor num argumento contrário à ideia de Aquecimento Global.

No ponto de maior interesse para os produtores rurais presentes no evento, relativo ao impacto do clima no preço das commodities agrícolas, o professor argumentou que a incidência, não prevista pelos modelos climáticos, de uma forte frente fria em estados do norte dos Estados Unidos tende a diminuir os resultados da safra de grãos americana em 2019, ocasionando a alta do preço, por exemplo, da soja. “Se tivessem previsto um inverno rigoroso, daria tempo pro produtor de lá tomar uma decisão, mas não previram. Então é muito provável uma quebra de safra americana” concluiu.

Com o auditório do Sindicato lotado, o presidente da entidade, Alex Wisch, falou da importância de eventos com essa temática, argumentando que a ideia é “desmistificar essa visão errada, distorcida, que se tem sobre a situação climática, onde jogam a culpa em cima dos produtores. {…} É essencial pra isso, para desmistificar, comprovar cientificamente que não há correlação como vem sendo mostrado nos jornais e na mídia geral”.

O presidente do Sindicato ainda argumentou que o setor do agronegócio é carente de divulgação de seu potencial. Para ele, as previsões do professor apresentadas em anos anteriores foram assertivas no geral e servem como argumento.

“Nas vezes passadas, o que foi mostrado para nós do que ia ocorrer no clima, no geral, aconteceu. A curiosidade dos produtores é para ter esse conhecimento para não errar no plantio. E assim, precisamos divulgar mais. Divulgar mais o lado do produtor, com material de fontes idôneas. Fazem um marketing negativo contra nós! Precisamos fazer o marketing positivo em contrapartida, mostrando que não somos da forma como estamos sendo representados”, concluiu Alex.