Detento solto por conta do coronavírus em Canarana é preso novamente

CANARANA – A Polícia Civil prendeu no domingo (22/03) em Canarana-MT, um detento que havia sido solto na semana passada da Cadeia Pública local. A soltura ocorreu devido às recomendações do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para liberação de alguns presos por conta do risco de transmissão do novo coronavírus (Covid-19). As informações foram repassadas ao J. O Pioneiro pelo Dr. Matheus Pavão de Oliveira, promotor de Justiça do Ministério Público local.

Conforme o promotor, o homem foi preso mediante outro mandado de prisão que estava em aberto. Ele seria integrante de uma facção criminosa. Conforme o promotor, foram contabilizadas nove solturas pela recomendação do CNJ e, que, analisando as decisões, um deles saiu com tornozeleira eletrônica, alguns tem a obrigação de permanecer em casa e, outros precisam comparecer ao Fórum.

“Estamos trabalhando de acordo com o que rege cada decisão judicial. Se há restrição, por exemplo, para ficar em casa e ele for visto na rua, será preso”, disse o promotor, acrescentando que a polícia está fazendo o monitoramento de acordo com as obrigações impostas em cada caso.

Em entrevista coletiva na sexta-feira (20/03), Dr. Matheus explicou que pretende recorrer das decisões e que a soltura dos presos “não contou com o apoio nem com a concordância do Ministério Público. Foi uma decisão da Justiça, que vai ser respeitada, foi cumprida e acatada. Mas é um dever nosso insurgir contra uma decisão que a gente entende que é maléfica para a cidade”.

Polêmica

A soltura dos detentos gerou várias manifestações dos munícipes e entidades. Na quinta-feira (21), o Dr. Deuel Paixão, delegado da Polícia Judiciária Civil, demonstrou sua contrariedade com relação às solturas dos presos, que aconteceu, de acordo com ele, depois de muito trabalho feito pela polícia para levá-los à cadeia.

No mesmo dia, o juiz da 1ª Vara da Comarca, Dr. Conrado Machado Simão, destacou que não haveria novas liberações. Ressaltou que os detentos soltos não eram condenados, que respondem por ações sem violência ou grave ameaça e, que foram avaliados seguindo o que rege a legislação.

Na sexta-feira (22), o delegado, o juiz e o comandante da Polícia Militar, Capitão Yamada, estiveram na Rádio Vida Nova concedendo uma entrevista conjunta. O delegado disse que não teve a pretensão de atacar o magistrado ou a Justiça, mas somente informar sobre as solturas.

Conforme o delegado, a PC tem uma visão e o Judiciário tem outra. “Nós estamos convivendo [com os bandidos], mas, às vezes, não conseguimos materializar e demonstrar os crimes para o Judiciário. De tudo o que o indivíduo pratica, conseguimos demonstrar apenas 1%”, disse, acrescentando que o Judiciário tem outros parâmetros e que julga de acordo com as provas materializadas.

O Dr. Conrado Machado Simão parabenizou o trabalho do delegado e a humildade em reconhecer a fala acalorada anterior. Disse que isso uniu ainda mais as instituições. Informou que os detentos liberados estão sendo monitorados.

Redação J. O Pioneiro.