Dia de Campo aborda novas tecnologias e novas culturas para segunda safra

CANARANA – Dias de Campo são eventos que ocorrem por todo o país em períodos de entressafra e que reúne empresas, pesquisadores e produtores na intercomunicação para melhoramento das práticas e produtos agrícolas. Levar agricultores a pequenos campos experimentais virou sinônimo em soluções no desenvolvimento sustentável do campo e a busca de novas tecnologias desenvolvidas pelos fabricantes de insumos agrícolas focadas no fortalecimento e maior rentabilidade dos cultivos.

No último dia 10/07 (quarta-feira), como parte da programação da 25º FEICAN (Feira Industrial, Comercial e Agropecuária de Canarana), um Dia de Campo de Tecnologias de Segunda Safra levou dezenas de produtores até o Parque de Exposições Luiz Cancian em Canarana-MT para conhecer opções de cultivos (mamona, painço, cártamo, etc…) e novas tecnologias de cultivos já conhecidos, como milho, feijão e gergelim. Após a visita nos estandes de fabricantes e representantes agrícolas, bem como em organizações de apoio ao produtor, os produtores participaram de uma palestra sobre “Tendências para os Mercados Agrícolas”. O evento foi aberto ao público em geral.

A segunda safra, ou safrinha, majoritariamente caracterizada até a pouco tempo pelo cultivo do milho, vem tomando uma importância cada vez maior e, sob determinados termos, superando até a primeira safra, protagonizada pelo cultivo da soja. Para Fernando Munaro Jr., fundador da AgRural e palestrante no Dia de Campo, a segunda safra “não é tão remuneradora quanto a soja, mas vem ocupando espaço. É só ver que dez anos atrás Mato Grosso plantava um milhão de hectares (na segunda safra) e ano que vem vai plantar cinco milhões de hectares”.

No decorrer dos últimos anos, o custo de produção por saca de milho aumentou e os preços na hora da venda tem sofrido grande oscilação. A alternativa dos produtores é investir em novos cultivares para a segunda safra. Esse segundo período produtivo, como expõe um dos produtores que participaram do evento, Claudir Signorini, é importante na diversificação das culturas para propiciar estabilidade ao produtor, no risco de perda. “Se não existisse segunda safra para nós aqui, nós iríamos encerrar a atividade. Segunda safra para nós é o que garante nosso sustento. Como estão vindo mais opções (feijão, milho pipoca, gergelim) é a nossa saída. Eu vejo que está vindo para nos ajudar”, afirma o agricultor.

No Dia de Campo, foi possível ver na prática dez cultivos diferentes, dispostos em pequenos talhões nas dependências do Parque de Exposições. Para o extensionista da EMPAER (Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural) Gildomar Avrella, dias de campo com foco na segunda safra servem de termômetro para os próximos anos safras. “Essa vitrine que é montada aqui, é de um referencial. {…} A gente percebe a busca por informações (dos produtos) que estão aqui plantados e eu acredito que para a safra 19/20 os resultados dessa vitrine tecnológica vai somar aos produtores”, afirma Gildomar.

Mas como fica o mercado do milho com o advento de novas culturas? Com a perda de espaço do milho para novas opções de cultivo, há de se pensar num mercado que sofra impacto com uma diminuição da oferta do grão! Para Fernando Munaro Jr., por mais que o modelo soja/milho safrinha esteja condenado, a concorrência e a oferta do produto por agentes internacionais, impede impacto na falta de suprimento. “Quando os americanos começaram em 2006 a desenvolver o etanol do milho, eles foram pra 100 milhões de toneladas de consumo de milho para etanol, e abriram uma exportação, (que representava 70, 80% da exportação do mundo) para outros agentes. E esses agentes (Brasil, Argentina e Ucrânia) estão brigando por espaço. Então, não vai faltar suprimento”.

Desta maneira, o fenômeno que se observa, como completa o Analista da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Bruno Souza Lemos, não é uma substituição do milho por outras culturas, mas uma diversificação, onde vários cultivares compartilhem espaço num período produtivo que só tende a crescer: “O que a gente tá fazendo é arrumar parceiros para outras culturas no Mato Grosso, para diversificar a safrinha no estado. {…} o mais viável na região aqui é o gergelim”, completa Bruno, indicando o cultivo que melhor está se adaptando ao clima do Médio Araguaia e que deu, recentemente, o título à Canarana, de maior produtor nacional de gergelim.

A FEICAN prossegue até o dia 14/07 (domingo) com competições como montarias e prova do tambor, exposição de implementos agrícolas, além de programações exclusivas, como o Painel Vitrine da Carne (que vai ensinar técnicas de corte ao público presente), além de shows de cantores nacionais e regionais todos os dias. A entrada é franca!