Mato Grosso lidera com maior número de casos hanseníase

BRASÍLIA – Segundo relatos bíblicos, a hanseníase acomete o homem há pelo menos dois mil e quinhentos anos. Mesmo sendo uma doença milenar, muitas pessoas não sabem que a doença tem tratamento e cura, e que é possível ficar sem sequelas. O diagnóstico tardio é uma das principais causas para a evolução de consequências graves, como deformidade de membros. É o caso de Alzira Rodrigues, que no interior da região Centro-Oeste teve que interromper a rotina por causa da infecção em 1968, quando ainda era jovem e estudava no colégio.

“Descobri que eu tinha hanseníase com 14 anos. Eu fui muito excluída, me tiraram da escola, da vizinhança. Aí o meu pai arrumou um serviço para mim em São Paulo como doméstica. Eu fazia o tratamento enquanto estava aqui, mas depois quando fui para São Paulo, eu fiquei sem tratamento. Hoje eu tenho as mãos e os pés bastante atrofiados. Eu fico o maior tempo em cadeira de rodas”.

Alzira tem 65 anos e vive em Poconé, no Mato Grosso, onde vive com os sete filhos. Ela faz questão de compartilhar a experiência pessoal em serviço voluntário para divulgar informações sobre a hanseníase. Como ela sabe que a falta de tratamento pode ter consequências sérias, como as atrofias nos membros que carrega consigo, se preocupa em avisar outras pessoas sobre a necessidade de se buscar o diagnóstico e o tratamento o quanto antes. Casos como o de Alzira ainda são comuns no Centro-Oeste, uma das regiões com maior incidência da doença no Brasil. A doença, no entanto, esta presente pelas demais áreas do país, que ocupa a segunda posição no último ranking da Organização Mundial da Saúde de novas notificações. De acordo com a coordenadora-geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde, Carmelita Ribeiro Filha, os números altos no Mato Grosso são resultado da chamada cadeia de transmissão.

 

“O Mato Grosso é o estado que tem o maior número de casos no nosso país. É um lugar em que circula muito o bacilo. Então, isso vai se perpetuando porque o período de incubação é longo. Ele não é tão rápido. E isso é inerente à própria doença, o bacilo, e também à capacidade da pessoa de responder positivo ou não frente ao bacilo. Então, isso é uma cadeia, vai se prolongando, vai se perpetuando”.

Por isso, o importante é ficar atento aos sinais do seu corpo. Ao surgimento de qualquer mancha em que você perceba a perda ou diminuição da sensibilidade ao toque, calor ou frio, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, menores as chances de sequelas. A hanseníase tem cura e o tratamento está disponível gratuitamente no SUS. Por isso, não esqueça: identificou, tratou, curou. Para mais informações, acesse: saude.gov.br/hanseníase.