Modelo que mora em Nova Iorque vive romance inspirador com índio do Xingu

CANARANA – Morando em Nova Iorque (EUA), Aline Weber ocupa lugar especial dentre as modelos mais poderosas do mundo. Pigma Amary leva uma vida pacata. Quando não está na aldeia Amaru, no Alto Xingu, com a família, atua como técnico de enfermagem em um posto de saúde.

O encontro desses dois opostos ocorreu em uma viagem que a top model fez pela porção mato-grossense da Amazônia. Para a revista Vogue, Aline disse que foi amor à primeira vista.

Acostumada a rabiscar o globo com viagens a trabalho – o que inclui campanhas de marcas famosas e ensaios para revistas como a própria Vogue, Bazaar e Elle -, dessa vez, Aline estava em uma jornada espiritual.

“Participei do Kuarup [ritual de homenagem aos mortos ilustres celebrado pelos povos indígenas da região do Xingu] em 2018. Ele também estava lá. Nos vimos no barco a caminho da aldeia e foi meio que amor à primeira vista (acreditem, isso acontece)”, ela contou.

Na época, segundo Aline, Pigma Amary morava na cidade por conta do estágio em enfermagem. Nesse dia, coincidentemente estava na aldeia.

“Ficamos tímidos o tempo todo na aldeia. Ninguém falava com ninguém. Quando retornamos à cidade, foi que iniciamos uma conversa. Trocamos contato e, desde então, conversamos todos os dias por vídeo. No final de agosto, ele me pediu em namoro”.

Em agosto deste ano, o romance ficou público.

“Meu amor, sei que este mês fazemos um ano juntos. Quebrando barreiras, talvez crenças. Não só por criação, mas também por trabalho. Você técnico em enfermagem e eu modelo. Trabalhos completamente diferentes. Ainda mais por estarmos em países diferentes, o que dificulta tudo mais ainda. Mas saiba que, além de qualquer dificuldade ou diferença, sempre estarei aqui para você”, disse a modelo via Instagram.

Para se verem, ou ela viaja dois dias inteiros até Canarana (830 km de Cuiabá) e, depois, enfrenta mais seis horas de barco até a aldeia, ou ele a encontra em São Paulo ou no Rio de Janeiro.

Com a relação, Aline já disse diversas vezes que têm aprendido sobre troca de cultura, de experiências e sobre um contato mais íntimo com a natureza.

“Nunca nos faltou assunto. Hoje em dia, estamos namorando a distância. Ele trabalha no posto da aldeia no Xingu e eu em Nova Iorque. Sempre que o gerador é ligado, a aldeia tem internet. Isso acontece duas vezes ao dia (pela manhã e à noite). Mesmo com as dificuldades, conseguimos nos falar diariamente”, disse ela à Vogue.

O romance, claro, gerou imensa repercussão. Aline aproveitou para transformar esse alvo de tanta curiosidade em uma vitrine para o ativismo em favor dos povos tradicionais e questões ambientais.