Parceria entre municípios pretende viabilizar aterro sanitário compartilhado em Água Boa

CANARANA – É consenso que investir na destinação correta dos resíduos sólidos, é investir em saúde pública. E a construção de aterros sanitários compartilhados está sendo a melhor alternativa encontrada por municípios em várias regiões do Brasil.

O secretário de Finanças de Água Boa, Fábio Tadeu Weiler, esteve em Canarana na tarde de segunda-feira (18/05), onde apresentou para os vereadores um projeto de implantação de um aterro sanitário em Água Boa. A ideia é levar o lixo de todos os municípios do Médio Araguaia para este local, que será controlado pela iniciativa privada.

Secretário de Finanças de Água Boa, Fábio Tadeu Weiler; Foto – OP.

Para fazer parte do projeto, cada município terá de aprovar uma lei. Na Sessão Ordinário da Câmara Municipal do dia 18 de maio, o Projeto de Lei Ordinária nº 35 de 2020, que autoriza Canarana celebrar convênio com Água Boa para destinação de resíduos sólidos urbanos, entrou em estudo. Se aprovado, o Município precisará negociar o custo com a empresa que assumirá a administração do aterro sanitário.

Com o aterro sanitário, os lixões de cada município serão desativados. Cada município fica responsável por coletar o lixo na cidade e levar até um ponto de transbordo. Como exemplo, se Canarana, Gaúcha do Norte, Querência e Ribeirão Cascalheira aderirem ao projeto, criariam um ponto de transbordo na região da BR-158, onde a empresa recebe o lixo e encaminha para o aterro em Água Boa. O mesmo aconteceria com os municípios ao sul, na região de Nova Xavantina.

Cada cidade poderá encaminhar todo o lixo até o aterro ou somente o orgânico, reciclando o restante no próprio município, através de uma associação de coletores. Em Água Boa, conforme o secretário, a ideia é construir um centro de reciclagem e também repassar para a iniciativa privada administrar, encaminhado para o aterro somente o que não pode ser aproveitado.

Secretário apresentando o projeto para os vereadores de Canarana; Foto – OP.

Sorriso

O que se pretende implementar em Água Boa já existe em Sorriso, no Médio Norte de Mato Grosso. Lá, vários municípios levam o lixo até um aterro sanitário, chamado de Primaverinha, da Empresa Sanorte (Foto Capa). O sistema viabiliza o negócio, visto que o lixo produzido por somente um município, não seria atrativo para a iniciativa privada, tornando um aterro sanitário individual inviável economicamente.

Entenda o funcionamento do aterro

O aterro sanitário é uma obra de engenharia com o objetivo de tratar a decomposição final dos resíduos da forma mais ambientalmente correta possível. O seu funcionamento é basicamente assim:

– A base do aterro é constituída por um sistema de drenagem de chorume;

– A base deve estar em cima de uma camada impermeável de polietileno de alta densidade (PEAD), em cima de uma camada de solo compactado para evitar que haja vazamento de líquidos para o solo. Evitando assim contaminação dos lençóis freáticos;

– O interior do aterro possui um sistema de drenagem de gases, possibilitando a coleta do biogás (constituído por metano, CO2 e vapor de água) até a atmosfera. Este gás é queimado ou é aproveitado para geração de energia.

– Todos os resíduos são cobertos por camadas de argila e também é constituído por um sistema de drenagem de águas pluviais, protegendo de infiltrações de água de chuva no interior do aterro.

Por O Pioneiro; Foto capa – Sanorte.